Domingo, 17 de Março de 2013
Um rapaz especial

 

 

Hoje fui ao cinema. Há muito tempo que não ia por falta de tempo. Levei os meus filhos e vimos um filme único: A Vida de Pi.

 

Não gosto de ver qualquer filme, tem que ter a ver comigo. Há filmes que já foram muito premiados que até hoje ainda não tive vontade de ver. Não gosto de filmes violentos, não gosto de filmes neuróticos, não gosto de filmes que não nos renovem a alma e não tenham um significado muito especial.

 

Há filmes que têm uma critica negativa e dos quais podemos gostar imenso, assim como há filmes muito abalados que podem não nos dizer nada. Há filmes que nos fazem pensar e sentir, e A Vida de Pi é um deles.

 

Era uma vez um menino chamado Pi, que vivia na India. O nome pi é uma abreviação de Piscina, onde o seu o tio o levava diáriamente pois dizia que a natação mantinha a alma limpa. Claro que na escola todos gozavam com ele, chamando-lhe “pissed” e outras coisas que tal, até que cresceu, começou a estudar o conceito de pi em matematica,  e quando se apresentava, explicava o que o conceito de pi queria dizer. De gozar com ele passaram a admirá-lo.

 

O pai de Pi tinha um trabalho curioso, era dono de um jardim zoológico. Assim, Pi cresceu e viveu rodeado de animais. Pi tinha uma relação especial com os animais pois acreditava que eles tinham alma, e como tal, não tinha medo deles pois achava que o homem e o animal partilhavam as mesmas emoções.

 

Um dia Pi resolveu ir visitar um tigre e dar-lhe de comer. O irmão fugiu com medo e ele permaneceu perto da jaula com um bocado de carne na mão a acreditar que aquilo seria possivel de fazer sem colocar em risco a sua vida. O tigre reparou nele, não só nele, mas no seu olhar sereno e seguro, avançando para ele sem violência, devagar. O tigre chamava-se Richard parker, o nome do homem que o caçou.

 

À medida que Pi crescia o seu interesse pela religião e pelo significado da vida aumentava, identificando-se tanto com o catolicismo como com o hinduismo e o islamismo. O seu pai que era 100% racional, não o levava a sério.

 

Certo dia a sua fé é posta á prova. O pai vê-se obrigado a deixar o jardim zoológico para trás e a refazer a sua vida, levando consigo a sua família e os animais a bordo de um barco rumo ao Canada, á procura de uma vida melhor.

 

Mas o inesperado acontece. O barco naurfraga e ninguém sobrevive, excepto Pi, O tigre, um orangotango, uma zebra e uma hiena que são colocados num barco salva vidas. Pi vive 227 dias perdido no mar, em que o tigre e ele são os únicos resistentes. Esta viagem espiritual caracteriza-se por um teste de resistência física, mental, e sobretudo de fé. Segundo Pi, foi o tigre que o salvou pelo  temor que lhe despertava, o que o obrigava a estar sempre a alerta, mas também pela companhia que lhe fazia e pelo elo que se criou entre os dois.

 

Para um ser espiritual como Pi, a natureza é um verdadeiro fascínio: as tempestades, o por do sol, a vida debaixo do mar, a beleza das ilhas, etc...entregando-se á natureza por inteiro.

 

O filme acaba quando Pi e Richard Parker, o tigre, chegam á Costa do Mexico. Chega o momento da separação e de cada um regressar ao seu habitat natural, o animal porque é um animal, e o homem porque é um homem. Sem olhar para trás o tigre adentra-se na selva. Pi deixa-se cair na areia até que os locais o vêm salvar.

 

Rápidamente 2 jornalistas surgem no hospital para pedir explicações acerca do naufrágio. Pi primeiro conta a sua versão,á qual eles respondem “isso não vende”. Então, conta a segunda, em que troca os nomes dos animais por nomes de pessoas e deste modo a história torna-se aceitável. Nada mudou, apenas os nomes.

 

Sempre achei que os animais tinham alma, e há pessoas o suficientemente sensíveis para perceber isto e muito mais.



publicado por Marta às 16:07
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4 comentários:
De Duarte Guerra Pinto a 17 de Março de 2013 às 16:22
Tenho visto vários filmes mas este foi especial. A combinação entre o imaginário no tratamento do trauma tocou-me, e tudo se percebe inesperadamente quando parecia que a história tinha terminado, quando finalmente a realidade e o imaginário se cruzam no relato da historia aos jornalistas no hospital. É daqueles filmes que, como na vida real, o passado só se percebe no fim da história, e o imaginário faz a Paz com o real. Esta é a minha avaliação: *****


De Marta a 17 de Março de 2013 às 20:53
Bem visto, por acaso não tinha pensado nisso


De miilay a 18 de Março de 2013 às 14:44
Era um filme que tinha vontade de ver, agora ainda mais. Obrigada.
miilay


De Marta a 18 de Março de 2013 às 15:45
De nada, espero que goste.

Marta


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